sexta-feira, 14 de junho de 2013

A Casa ao Lado

          
O dia estava acabando e a noite chegava com um clima frio e nublado com jeito de chuva leve e duradoura. O movimento na casa ao lado era intenso, parecia que a mudança tinha presa ou alguma coisa deveria ser ocultada pelo jeito com que o casal carregava alguns objetos e se comportavam estranhamente. 
Os últimos objetos da casa foram colocados para dentro e o pequeno caminhão de mudança foi embora vagarosamente pela rua. O portão da garagem ficou aberto como se aguardasse a entrada de um carro que não estava presente
No local. Passaram-se alguns minutos e quando já estava mais escuro surgiu um carro escuro que com seta ligada que entrou na garagem com rapidez.
Pelo anoitecer que anunciava a rua estava quase deserta, a chuva fina ajudava a transformar aquela noite em um ocaso de ruas desertas naquela quadra isolada da cidade.
Sandra aguardava seu marido Pedro que sempre chegava um pouco mais tarde por trabalhar fora da cidade, mas aquela noite lhe parecia diferente quando olhava pela a janela e observava a penumbra intensa.
Um barulho de portão eletrônico interrompeu os pensamentos de Sandra que repentinamente levantou-se e foi à janela observar o que ocorria. O carro escuro saiu e percorreu a rua escura sem muita presa.
O telefone celular toca em cima do sofá chamando atenção de Sandra que o atende rapidamente.
Alô? – Diz Sandra aguardando uma resposta.
Oi querida sou eu, estou preso no trânsito, parece que aconteceu um acidente e com certeza vou atrasar bastante, aqui está um terror o congestionamento.  – Explica Pedro o que está ocorrendo.
Querido não fala em terror, pois pela primeira vez depois que viemos para esta casa estou com medo? – Diz Sandra com voz trêmula.
O que está acontecendo, você nunca teve medo e outras vezes eu cheguei tarde por causa do trânsito e não ouvi esta reclamação. – Diz Pedro tentando entender o medo de Sandra.
Sabe esta casa esquisita do lado, hoje mudaram novos inquilinos e pelo que observei não são muitos amistosos e um carro todo escuro entrou e saiu de repente como se estivessem escondendo alguma coisa. – Diz Sandra demonstrando medo em sua fala.
Fica tranquila querida, o dia hoje não está bom e você já esta fazendo mal juízo dos vizinhos que nem conhecemos. – Diz Pedro tentando tranquilizar Sandra.
Só estou um pouco assustada, mas vou ficar tranquila até você chegar, te espero um beijo. – Diz Sandra desligando o telefone.
Mais tranquila Sandra senta no sofá para continuar assistindo TV até seu marido chegar. Após alguns minutos um pequeno barulho chama atenção de Sandra que começa a olhar para os lados tentando saber de onde veio.
Sem qualquer explicação a energia se acaba deixando a noite mais escura que o normal por causa das nuvens escuras que encobre toda cidade. A demora é pouca a energia volta e tudo retorna ao normal.
Sandra agora fica mais aflita e qualquer coisa a faz se assustar. Um grito intenso de uma coruja provindo dos arredores a faz se assustar causando-lhe tensão. Aflita e abraçada com as almofadas do sofá Sandra agora reza para seu marido chegar o mais rápido possível.
O tempo passa e o medo vai deixando sua mente tranquila que diminui seus batimentos cardíacos fazendo que não aperte tão fortemente as almofadas. O volume da TV agora parece muito alto, Sandra pega o controle e deixa bem baixinho para prestar mais atenção em qualquer movimento.
A noite se encaminha e a chuva fina não dar trégua ajudando a noite ficar ainda mais fria. Um silêncio intenso é pressentido por Sandra que no memento não ouve nem a TV, isto a deixa perplexa e assustada.
O silêncio intenso é interrompido brutamente quando um barulho de móvel sendo arrastado rasga a noite deixando Sandra em pavor. Era como se um grande sofá de madeira pesado ou uma mesa estivesse sendo arrastado vagarosamente riscando o piso deixando um rastro marcado em todo seu percurso.
O barulho assustador parou e Sandra deu um grande suspiro de alívio, mas em seguida um gemido de dor e agouro invade a sala como se quem estivesse com o sofrimento estivesse presente e bem perto.
Sandra entra em desespero e abraça com mais força as almofadas com se elas pudessem conter o medo ou lhe proteger de alguma forma. O gemido continuava e novamente o barulho começou bem devagar como se quem estivesse gemendo estava amarrado e tentava desamarrar ou tentava sair arrastando o móvel pesado por toda casa.
Por alguns instantes tudo para e Sandra volta a respirar com mais tranquilidade, mas seus olhos esbugalhados ficam atentos a qualquer movimento. Tudo parece voltar à tranquilidade e cada vez mais Sandra se tranquiliza.
A energia começa a dar sinais que vai cessar de novo, mas isto não ocorre. Sandra agora voltar a ficar atenta e fica esperando algum barulho. Um vento mais forte entra pela janela afastando as cortinas revelando a noite escura e chuvosa, isto chama atenção desviando o olhar de Sandra para a rua.
A coruja em um voo lento cruza a janela soltando outro grito e deixa Sandra novamente em pavor fazendo com que todo medo retorne com mais intensidade. Com a respiração presa e olhos assustado de medo Sandra não percebe que seu telefone toca sem parar.
Sandra agora percebe que seu telefone estar tocando e tenta atende-lo, mas sua intenção é frustrada, pois a chamada é encerrada. Sandra tenta descobrir quem ligou e percebe que o número que consta não é conhecido, mesmo assim tenta contato para saber não é algum recado ou seu marido que por acaso estar com seu celular descarregado e estar usando o telefone de alguém.
O som de chamando é bem audível em seu ouvido, mas que estar dou outro lado parece não ter presa de atender, isto deixa Sandra aflita e ansiosa.
Após alguns segundos que parecem minutos a chamada é atendida, mas a voz demora a aparecer. Com olhos aflitos e rosto desfigurando pelo medo Sandra aguarda a pessoa que parece não falar nunca.
O tempo parece parado e Sandra aguarda a voz que rouca e arrastada lhe enche os ouvidos:
- Boa noite minha filha!
Quem está falando, quem é a senhora? – Diz Sandra assustada e tremendo.
- Sou quem você estava esperando, quem você queria conhecer? – Responde a voz rouca e arrastada.
Como descobriu meu telefone, quem é você? – Diz Sandra com mais medo e pavor.
Sua curiosidade vai lhe responder, aguarde! – Diz a voz rouca e arrastada cessando em seguida a ligação.
Sandra em desespero aperta o celular com força demonstrando pavor em seu comportamento. Um susto tira sua atenção, mas agora um sorriso em seu rosto lhe trás alívio quando Pedro chega e a abraça com alento.
Pedro percebe que seus olhos estão cheios de lágrimas que parecem ter sido represadas pelo medo e recusaram-se a sair. Preocupado Pedro começa a conversar tentando aliviar a tensão de sua esposa.
- O que foi que aconteceu? Por que você esta tão assustada? – Pergunta Pedro tentando descobrir o que ouve.
- Alguma coisa estar errada, logo depois que o casal da casa ao lado chegou tudo parece estranho. – Diz Sandra tentando explicar sua aflição.
- Por favor, querida explique o que aconteceu, mas, por favor, bem devagar. – Diz Pedro tranquilizando sua esposa.
Sandra explica tudo que aconteceu e Pedro presta bastante atenção, mas ao termino tenta deixar sua esposa mais tranquila e diz que tudo que aconteceu foi apenas o medo que tomou conta de sua mente e a deixou assim, imaginado tudo.
Nos braços de seu marido Sandra se conforta e volta a ficar tranquila, a noite parece realmente voltar ao normal. Os ponteiros do relógio rompem a meia noite enquanto Pedro e Sandra estão em sono profundo.
As luzes de toda cidade se apaga deixando uma penumbra intensa. Após alguns minutos Pedro acorda como se pressentisse a escuridão que dominava sua casa e toda cidade. Para não assustar sua esposa ou chamar sua atenção Pedro começa a andar bem devagar pela casa tentando encontrar uma vela para acendê-la.
A luz da vela agora clareia a casa um pouco. Quando Pedro sai da cozinha e vai passando pela sala com sua vela acessa sendo levemente diminuída pelo vento escuta uma voz, mas não sabe o que esta voz diz então Pedro para e tenta escutar com mais atenção.
O silêncio toma conta da casa e Pedro percebe que alguma coisa estranha estar acontecendo. Em uma atitude rápida Pedro se dirige para o quarto com a vela quase se apagando, mas um barulho lhe chama atenção. Um som de arrasto de móvel pesado é escutado em seguida uma voz rouca e arrastada de lamento toma conta de sua sala como se quem estivesse se lamentado estivesse ali bem perto.
Pedro corre com seu olhar por todos os lados da sala, mas nada encontra lhe deixando mais tranquilo. Um barulho repentino assusta Pedro vindo da direção de seu quarto, mas quando percebe que é sua esposa tudo fica tranquilo.
Sandra corre e abraço Pedro e começa a lhe perguntar:
Você também ouviu, não foi Pedro? – Diz Sandra assustada.
Ouvi Sandra e é assustador, você tinha razão de estar com medo! – Diz Pedro concordando com a história que Sandra tinha contado.
- E agora o que vamos fazer? – Diz Sandra com medo.
Tenho que descobri o que estar acontecendo nesta casa ao lado, será que o casal já voltou! – Diz Pedro sem muito entusiasmo.
Não sei? Depois que fomos dormir eles podem ter voltado! – Diz Sandra sem certeza.
Eu vou olhar a garagem por cima do muro para vê se eles voltaram você fica ai com a vela enquanto eu volto. – Diz Pedro orientando Sandra.
- Cuidado querido, vai com bastante atenção. – Diz Sandra preocupada com seu marido.
Pedro sobe pelo muro e começa a observar o movimento, vê que um ponto de luz ilumina a sala da casa bem levemente, mas não consegue ver ninguém, olha também à garagem e descobre que o carro escuro que sua esposa lhe falou não se encontra.
O muro da frente é muito alto então Pedro volta e avisa para Sandra que vai tentar observar pelo muro dos fundos da casa que é bem mais baixo. Sandra segue Pedro com a vela na mão que se apaga quando entra em contado com os pequenos pingos de chuva no acesso para o muro mais baixo.
O arrasto do móvel é ouvido agora bem alto, pelo tipo de barulho alguém tentava sair e por esta razão tentava arrastar algo como um sofá pesado ou uma mesa de madeira de lei.
Pedro sem perder tempo pulou o muro de acesso à casa ao lado e ajudou sua esposa na tentativa de descobrir o que estava acontecendo. Bem devagar e com cuidado Pedro procurava uma forma de encontrar uma brecha para ver melhor quem estava lá dentro fazendo barulho e se lamentando de dor.
Com um pedaço de ferro Pedro forçou a porta da cozinha e entrou bem devagar com Sandra olhando por todos os cantos. Uma resta de luz denunciava o acesso ao local onde podia estar à resposta para suas angustias e medo.
Bem devagar foram se aproximando da porta e a luz ia revelando o lugar que parecia bem tenebroso pelo o que despontava a noite sendo exposta pelas janelas.
Um lamento de dor é ouvido revelando o local de onde vinha aquela voz rouca e arrastada. Pedro segurando a mão de Sandra começa a se aproximar, uma grande mesa de madeira de lei parece estar fora de sua posição normal, como se alguém tentasse empurra-la ou tira-la do lugar sem sucesso.
Uma luz de emergência ajudava a afastar aquela noite intensa e revelava um corpo bem debilitado no chão preso por uma corrente ao pé da mesa de madeira de lei grande e pesada.
Pedro e Sandra se aproximaram bem devagar e quando chegaram bem perto o corpo começou a se mexer bem lento com se já estivesse sem forças para se mexer. Pedro na ânsia de descobrir quem era perguntou:
- Olá, quem está ai?
- Sou eu meu filho, venha me ajudar? – Respondeu à senhora que levantou sua cabeça revelando seu rosto com traços de velhice bem avançado e debilitada.
Por que a senhora estar amarrada com esta corrente? – Pergunta Sandra sentido pena da velha senhora ali amarrada pela perna por uma corrente ao pé da mesa pesada.
Meu filho que me amarrou, depois que ele arrumou aquela mulher passou a me tratar muito mau, não tenho mais força para lutar com ele e estou sozinha. – Diz a velha senhora com voz rouca e arrastada mostrando estar bem debilitada.
- Nós vamos tirar a senhora daqui e ligar para a polícia para prender seu filho, que maldade tratar uma senhora desse jeito. – Diz Pedro sentindo pena da velha senhora.
Pedro se aproxima da velha senhora e começa a tentar levantá-la na tentativa de descobrir como tirar a corrente de seu pé. Sandra assustada observa, mas presente que alguma coisa estar errada.
A energia volta em toda cidade iluminando tudo de repente, quando Pedro levanta o rosto da velha senhora vê que esta começa a ter uma reação estranha e começa a se recompor sozinha reativando suas energias como se nada tivesse acontecido.
Sandra percebe que estão no lugar errado e na hora errada. A velha senhora segura Pedro com firmeza e este tenta sair, mas não tem êxito. Sandra percebe que a velha senhora abre a boca mostrando os dentes não comuns para aquela idade e ainda pontiagudos e afiados como de um animal feroz.
Pedro luta tentando se afastar da velha senhora que o agarra com força tentando lhe morder. Sandra grita de desespero, mas Pedro não consegue sair das garras da velha senhora.
Um grito de dor é ouvido quando a velha senhora morde o pescoço de Pedro rasgando sua carne fazendo com que seu sangue jorre por todos os lados. Sandra em desespero grita e não consegue sair do lugar. Pedro perde as forças e se deixa vencer pelas garras da velha senhora que lhe dar mais uma mordida deixando seu sangue escorrer pelo o canto de sua boca revelando seus dentes afiados.
Sandra tenta fugir quando de repente chega o casal e lhe empurra na direção da velha senhora que a agarra e começa a sujar sua roupa do sangue de seu marido que agora estar agoniando no chão com seu sangue escorrendo riscando a sala mudando sua cor original.
Seu grito é contido pela mão enrugada da velha senhora que lhe tampa a boca.
Agora não tem mais saída, sua morte é certa. A velha senhora começa a falar em seu ouvido algumas palavras desconhecidas, como se tratasse de algum ritual macabro. Os olhos da velha senhora começaram a ficar vermelhos como se dali fosse sair sangue vivo.
O casal começou a circular a sala como se começassem a dançar ou fazer algum ritual desconhecido. Sandra já não reagia e tudo assistia sem poder fazer nada. A velha senhora começou a falar com sua voz rouca e arrastada:
Não lhe falei que sua curiosidade iria responder a pergunta, agora você vai conhecer melhor seus vizinhos, desde que chegamos notei que você não ficou um instante sem tentar saber quem estava mudando para esta casa. – Diz a velha irritada com Sandra.
Mas por que estar fazendo isto com a gente, nós não lhe fizemos mal? – Diz Sandra tentando obter uma explicação.
Não é a tentativa de fazer mau é a curiosidade de bisbilhoteiro que me incomoda. – Diz a velha segurando Sandra com firmeza.
Por favor, deixe-me ir embora, por favor? – Pede Sandra na ultima tentativa de sair viva daquela casa de loucos.
- Já provei do sangue de seu marido, agora é o seu que quero sugar para me manter viva e forte. – Diz a velha sem dor.
O casal se aproximou e segurou Sandra bem firme, a velha começou falar algumas palavras macabras desconhecidas enquanto circulava em volta invocando algum espírito maligno. A energia acabou novamente em toda cidade ficando apenas a luz de emergência da casa para revelar a velha senhora dilacerando o corpo de Sandra que emitiu gritos de dor abafados pelo o grito da coruja que sobrevoava a casa em uma noite fria, tenebrosa e chuvosa.



Nenhum comentário:

Postar um comentário